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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Consequências


Pensar que muito das coisas que eu escrevo é sobre você, desculpa mas não consigo ser do tipo de pessoa que consegue seguir em frente com tanta facilidade e invejo você por ser assim.
Já fazem dois meses, vi que você já está em um relacionamento sério com um novo alguém mas quem diria que logo você seria a pessoa que colocaria um ponto final em tudo o que existe entre nós dois. Imagina a minha surpresa quando aquelas palavras saíram da sua boca: "Acho que preciso de um tempo sozinho, é melhor a gente terminar", mas eu me surpreendi ainda mais com a falta do meu choro doído, logo eu que sempre fui tão sensível e chorona, só que naquele momento eu não poderia chorar na sua frente então eu guardei toda aquela dor pra mim. Ainda tenho me surpreendido comigo mesma mas fico ainda mais surpresa com a sua indiferença, mesmo sabendo que seria assim.
Eu sempre fui aquela pessoa que sofre um pouco mais do que as outras mas ultimamente tenho me sentido apática em relação a tudo o que acontece ao meu redor. Você nunca foi tudo, era apenas a ponta do imenso iceberg e você sabe, sempre teve muito mais coisas por trás daquela ponta... É sempre assim, alguém precisa machucar enquanto o outro é ferido. Tudo tem um fim, o que me fez pensar que seria diferente com a gente?
Eu não quero que sinta qualquer tipo de sentimento por eu estar assim. Estar com você era tão fácil, sempre foi um lugar seguro para que eu pudesse colocar todas as minhas inseguranças e medos para fora, te amar era tão fácil, sempre foi um lugar seguro para botar abaixo todos os muros que eu me esforcei tanto para construir. Agora te amar é idiota, é estar na escuridão sem conseguir ver uma saída, agora te amar tem consequências.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Nada é Eterno


Hoje percebo o quanto gostaria de ter agido de uma outra maneira, gostaria de ter feito coisas diferentes, adoraria ter ido aos churrascos entre amigos que perdi, amaria ter ido  naquela festa de aniversário onde estariam todos os meus familiares, mas me desfiz. Eu gostaria muito de ter convidado meus pais para almoçar fora, gostaria de tê-los feito rir mais, gostaria de ter dado a atenção que eles mereciam, a atenção que eles me deram quando eu era um bebê, quando eu tinha pesadelos a noite, quando não me sentia bem e eles me levavam ao médico muito preocupados com o que poderia ser, quando eu não aguentava a pressão e chorava toda a tarde, gostaria de ter dado toda aquela atenção que recebi e não dei. — O nosso problema é um só, estamos ocupados demais pensando no nosso futuro que acabamos esquecendo que nossos pais, apesar do amor perpétuo, não são eternos.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

O Que Restou



O que restou de nós? Apenas as lembranças, apenas os memórias.
Todos temos problemas e nem sempre vamos estar bem, as vezes iremos querer ficar sozinhos no nosso canto, sem ter que explicar o porque da sensação de vazio para as pessoas que nos cercam, mas não significa que precisamos nos afastar de todos, ou nos excluir das pessoas que amamos (ou que dizemos amar).
O que restou dos planos que fizemos juntos? Apenas o vazio de saber que todos eles serão para apenas uma das partes, como quando um amigo te dá as costas e você sabe que terá que seguir em frente sem ele, apenas você e sua consciência.
As vezes eu odeio a minha mente que cria problemas demais, as vezes até mesmo inexistentes, coisas bobas e sem necessidades. Mas o que você faz quando se sente em pânico? Tentamos fugir? Nos concentrar em outra coisa? Mas e quando não conseguimos mais nos concentrar nas coisas que gostávamos de fazer? E quando não conseguimos fugir dos problemas porque ele está em todos os lugares que você vai? Na verdade o problema está em sua mente, um lugar perigoso de se estar sozinho agora.
Sei que temos que arrumar um motivo para seguir em frente, a vida não é fácil para ninguém e temos que ser luz no meio da escuridão de alguém, mas e quando esse alguém decide que está na hora de partir? O que fazer? Como reagir a partida de quem amamos? Bom, eu ainda não sei qual seria a resposta certa para todas essas perguntas, mas se você souber, por favor, sente-se e me conte.

sábado, 27 de maio de 2017

AUTORAL: Moço da Barba Desajeitada | por Carol Sant

Sabrina sabia que dali em diante seria difícil e diferente, não conhecia a cidade e não sabia como era viver em uma cidade grande como São Paulo. Mas sem escolhas ela teve que vir, seus pais não estavam mais neste mundo e ela só tinha uma única tia, chama Cármen e a garota tinha certeza de que encontrar a tal tia que nunca teve contato seria quase como uma missão impossível, mas era a única parente viva que Sabrina tinha e ela queria correr o risco, mas, claro que torcia pelo melhor da situação quando encontrasse a tia!
Graças a Deus, ela tinha como se manter em uma cidade com um custo tão alto, pelo menos, para ela que era do interior. Sabrina sabia que o dinheiro que tinha não iria durar para sempre, precisava de um emprego e não estava na posição de escolher demais e estava decidido, o primeiro que aparecesse ela aceitaria sem pestanejar. 
Em seu segundo dia na cidade, Sabrina levantou as 07:00 horas da manhã e foi em busca de um emprego. Ao parar em uma padaria para um café, a garota se lembrou de uma frase que sua mãe costumava dizer: "Deus ajuda quem cedo madruga!", e ela jamais se esqueceu da frase. 
Andando pelo centro da grande cidade a garota viu uma enorme placa que dizia "CONTRATA-SE GARÇONETE, COM URGÊNCIA". Garçonete? Ela nunca pensou que um dia iria trabalhar como garçonete, logo ela que sempre teve tudo que queria? Bem, quem sabe. Claro que não chamariam ela para aquela vaga, então não custava nada deixar um simples currículo, né?! 
— Bom dia, estão contratando? — Perguntou tímida. 
— Sim, você se interessa? — Perguntou Edson, o dono do lugar. 
— É, ahan, sim. Eu poderia deixar meu currículo? Sou nova na cidade! — Disse Sabrina sem jeito por não saber parecer sem interesse na vaga, pois ela precisava muito do dinheiro. 
Edson pegou o currículo da mão da garota é automaticamente, disse: 
— Você começa amanhã, seja bem vinda! — Falou com um sorriso nos lábios.
Sem reação nenhuma, Sabrina sorriu sem jeito e perguntou:
— Que horas eu entro? — sorrindo timidamente. 
— Exatamente as 08:00 horas e sai as 16:00 da tarde, até amanhã, hm, Sabrina... — Disse e deu um sorriso encantador para a garota tímida que via em sua frente. 
— Até amanhã, ahn... Edson! — Disse, olhando o crachá no avental do moço sorridente. 
Bem, as vezes a vida não é muito gentil conosco e não foi nada gentil com Sabrina, seu irmão morreu de câncer aos 11 anos e agora a vida tinha decidido levar seus pais em um acidente de carro, o carro que ela tinha dado a eles quando completaram 25 anos de casados. Ela perdeu sua família e ainda não tinha se recuperado, suspeitava que estava entrando em um estado grande de melancólica. Não comia simplesmente pelo fato de não ter fome, ela tinha coisas mais importantes para se focar, como por exemplo, sua própria dor e seu mais recente trabalho. 
Estava se saindo bem no trabalho, não sabia se ela se sairia bem como garçonete, claro que na maioria das vezes a garota pensava em desistir, mas, ela não poderia se dar a esse luxo. Tinha contas a pagar! 
Sentia que estava enlouquecendo, ainda não tinha encontrado sua tia Cármen e isso só colaborava cada vez mais para se afundar em sua melancolia, o que ela poderia fazer? 
Depois de um mês da morte de seus pais, ela sentia que jamais se recuperaria da perda, sem contar a falta que sentia de John, seu irmão querido que se fora tão jovem. 
Mais um dia que se seguia, mais um dia de trabalho, de ordem e estresse, mais um dia para seguir em frente, o que a garota não sabia era que a vida seria um pouco gentil com ela hoje. 
— Com licença, vocês vendem bolo de banana? Estou louco de vontade por um, já procurei em vários bares, restaurantes e confeitarias, mas como pode ver, nada até agora! — Disse Cadu, quase sem fôlego. 
— Ei calma, respira para falar! — Disse a garota, tentando não rir do jeito tão desengonçado do moço que estava a sua frente - A gente vende sim bolo ou torta de banana, quem inteiro ou fatia? - Disse como de costume, era o que ela fazia todos os dias. 
— Ah, não sei, bom, acho que vou levar um inteiro, mas quero uma fatia para comer agora. Eu adoro bolo ou torta de banana! — Disse ele, sorrindo para a garota tímida de bochechas rosadas, que vestia um avental sujo. 
— Ok, eu levo na mesa. Tudo bem? 
— Tudo bem, garota das bochechas rosadas. — Disse Cadu, ele e sua mania de apelidar as pessoas, deveria parar com isso, pois a garota ficou com as bochechas mais rosadas do que o normal por conta do apelido que acabava de receber. 
Ok, aquilo tinha sido vem esquisito para Sabrina, receber um apelido fofo de um estranho? Isso não acontecia com ela. Pensou brevemente enquanto cortava a fatia do bolo, que gostaria de conhecer melhor aquele moço de barba desajeitada.