AUTORAL: Moço da Barba Desajeitada | por Carol Sant

Sabrina sabia que dali em diante seria difícil e diferente, não conhecia a cidade e não sabia como era viver em uma cidade grande como São Paulo. Mas sem escolhas ela teve que vir, seus pais não estavam mais neste mundo e ela só tinha uma única tia, chama Cármen e a garota tinha certeza de que encontrar a tal tia que nunca teve contato seria quase como uma missão impossível, mas era a única parente viva que Sabrina tinha e ela queria correr o risco, mas, claro que torcia pelo melhor da situação quando encontrasse a tia!
Graças a Deus, ela tinha como se manter em uma cidade com um custo tão alto, pelo menos, para ela que era do interior. Sabrina sabia que o dinheiro que tinha não iria durar para sempre, precisava de um emprego e não estava na posição de escolher demais e estava decidido, o primeiro que aparecesse ela aceitaria sem pestanejar. 
Em seu segundo dia na cidade, Sabrina levantou as 07:00 horas da manhã e foi em busca de um emprego. Ao parar em uma padaria para um café, a garota se lembrou de uma frase que sua mãe costumava dizer: "Deus ajuda quem cedo madruga!", e ela jamais se esqueceu da frase. 
Andando pelo centro da grande cidade a garota viu uma enorme placa que dizia "CONTRATA-SE GARÇONETE, COM URGÊNCIA". Garçonete? Ela nunca pensou que um dia iria trabalhar como garçonete, logo ela que sempre teve tudo que queria? Bem, quem sabe. Claro que não chamariam ela para aquela vaga, então não custava nada deixar um simples currículo, né?! 
 Bom dia, estão contratando?  Perguntou tímida. 
 Sim, você se interessa?  Perguntou Edson, o dono do lugar. 
 É, ahan, sim. Eu poderia deixar meu currículo? Sou nova na cidade!  Disse Sabrina sem jeito por não saber parecer sem interesse na vaga, pois ela precisava muito do dinheiro. 
Edson pegou o currículo da mão da garota é automaticamente, disse: 
 Você começa amanhã, seja bem vinda!  Falou com um sorriso nos lábios.
Sem reação nenhuma, Sabrina sorriu sem jeito e perguntou:
 Que horas eu entro?  sorrindo timidamente. 
 Exatamente as 08:00 horas e sai as 16:00 da tarde, até amanhã, hm, Sabrina...  Disse e deu um sorriso encantador para a garota tímida que via em sua frente. 
 Até amanhã, ahn... Edson!  Disse, olhando o crachá no avental do moço sorridente. 
Bem, as vezes a vida não é muito gentil conosco e não foi nada gentil com Sabrina, seu irmão morreu de câncer aos 11 anos e agora a vida tinha decidido levar seus pais em um acidente de carro, o carro que ela tinha dado a eles quando completaram 25 anos de casados. Ela perdeu sua família e ainda não tinha se recuperado, suspeitava que estava entrando em um estado grande de melancólica. Não comia simplesmente pelo fato de não ter fome, ela tinha coisas mais importantes para se focar, como por exemplo, sua própria dor e seu mais recente trabalho. 
Estava se saindo bem no trabalho, não sabia se ela se sairia bem como garçonete, claro que na maioria das vezes a garota pensava em desistir, mas, ela não poderia se dar a esse luxo. Tinha contas a pagar! 
Sentia que estava enlouquecendo, ainda não tinha encontrado sua tia Cármen e isso só colaborava cada vez mais para se afundar em sua melancolia, o que ela poderia fazer? 
Depois de um mês da morte de seus pais, ela sentia que jamais se recuperaria da perda, sem contar a falta que sentia de John, seu irmão querido que se fora tão jovem. 
Mais um dia que se seguia, mais um dia de trabalho, de ordem e estresse, mais um dia para seguir em frente, o que a garota não sabia era que a vida seria um pouco gentil com ela hoje. 
 Com licença, vocês vendem bolo de banana? Estou louco de vontade por um, já procurei em vários bares, restaurantes e confeitarias, mas como pode ver, nada até agora!  Disse Cadu, quase sem fôlego. 
 Ei calma, respira para falar!  Disse a garota, tentando não rir do jeito tão desengonçado do moço que estava a sua frente - A gente vende sim bolo ou torta de banana, quem inteiro ou fatia? - Disse como de costume, era o que ela fazia todos os dias. 
 Ah, não sei, bom, acho que vou levar um inteiro, mas quero uma fatia para comer agora. Eu adoro bolo ou torta de banana!  Disse ele, sorrindo para a garota tímida de bochechas rosadas, que vestia um avental sujo. 
 Ok, eu levo na mesa. Tudo bem? 
 Tudo bem, garota das bochechas rosadas.  Disse Cadu, ele e sua mania de apelidar as pessoas, deveria parar com isso, pois a garota ficou com as bochechas mais rosadas do que o normal por conta do apelido que acabava de receber. 
Ok, aquilo tinha sido vem esquisito para Sabrina, receber um apelido fofo de um estranho? Isso não acontecia com ela. Pensou brevemente enquanto cortava a fatia do bolo, que gostaria de conhecer melhor aquele moço de barba desajeitada.

2 comentários:

  1. Olá, amei esse conto!!! Você escreve muito bem vou aguardar mais contos. Esse vai ter continuação? gostei tanto. ;)

    www.mundofantasticodoslivros.blogspot.com

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    1. Que bom que curtiu <3
      Infelizmente, esse não vai ter continuação, não!
      Beijos <3

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